quarta-feira, 29 de julho de 2015

De ventos eu sou

A ventania que me trouxe
veio antes mansa, anunciando
que eu viria num embalo simples,
mas não de meia boca.
Aliás, nunca fui mesmo de meias...
elas sempre saem sem seus meios.
A mesma ventania enquanto
me trazia nos seus braços,
me cantava sussurros de como
as coisas ventavam lá em baixo,
lugar pro qual eu ia dar.
Fui posto no meu chão de pedras
em iniciozinho dum Setembro
de ventos mansos.
Fui batizado pequeno filho
de ventania mansa.
Fui chorando, tropeçando e
brincando pelos morros sempre
guiados pelos ventos que me trouxeram aqui.
hoje, feito homem, de trilhos feitos,
esboçando novos, galgando horizontes
de terra, cerca ou ferrovias, não temo o desconhecido.
Eu sei que bem aqui dentro de mim ainda ressoa
todas as palavras mansas que me foram depositadas
quando eu ainda era um desejo a ser ventilado aqui em baixo.
Eu tenho comigo pequenas e fortes certezas que
meus ventos vão acabar dando em outros lugares,
se ajuntando a outras ventanias e talvez formando vendavais
memoráveis pruns cantos, hoje, inimagináveis.

Nó de cadarço

...E eu corria tanto,
e quase tropeçava.
Sentia a nuca úmida
do suor da pressa,
da incerteza,
da loucura que era
pensar sempre em você.
E eu quase tropeçava...
Minhas pernas quase se trançavam.
Quase me derrubei dum alto olhar
meu, que arranhava céu o seu
...meio baixos.
Nas linhas bloqueadas pelos nós
que os cadarços preparavam pra mim,
eu quase sucumbi ao concreto chão.
Bufava, arfava, exauria meus pés da cabeça
em volta de tudo que já conhecia,
no mesmo pátio, no mesmo cerco sem furos,
no mesmo muro sem cacos de vidro.
Daí quando senti a secura na boca,
a produção acelerada da saliva,
a tontura na cabeça que ia feito trem bala
pras pernas quase emboladas...freei.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Suposto

Eu sinceramente tenho muitas palavras
pra você.
Já pensei num livro, até.
Tenho a capa em mente e esboço de orelha.
Mas seria demais verbos, demais adjetivos
em demais seria os casos de choro.
Poderia passar tudo pra palavras de alguma editora
bacana que topasse um romance não vivido,
nem se quer havido.
De repente fizesse  sucesso.
Mas nem esperaria por isso.
Contentaria por saber alguém o lendo.
Tomara não se identificando.
Seria fino, leve, mas não como a quase real historia.
Uma pena não conseguir compactar tudo num livro.
Ou, que sorte não conseguir jogar tudo isso num impresso

paginado pra alguém se emergir em lágrimas ensaiadas.