segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Olho nu olho

Olho nu olho
vamos brincar de
quem pisca primeiro.
Olho nu olho
você me viu primeiro
ou fui eu?
Olho nu olho
desviamos a curva
juntos, mas a vontade
era seguir estrada.
Olho nu olho
não deixamos
nosso olhar
cruzar do outro ainda.
Olho nu olho
eu fico despido,
e mais um pouquinho
me lavo se continuar
olho nu olho
com você.

Toda vez

Toda vez que tenho de te olhar
acontece uma minúscula e não vista
a olho nu grande explosão de não muitas
proporções externas, mas catastróficas nos meus olhos
que sismam em enxergar e molhar toda minha barba. 
Nesses momentos não entendo como meu comando
central não me faz ator; me põe uma máscara carnavalesca
ou me faz apático, cara de parede branca.
Te lanço dinamites microscópicos que refletem 
nas suas duas janelas esverdeadas e voltam com tudo
pros meus pequenos lagos apimentados. 
Daí segue esse alagado garganta abaixo e
faz quedá lá na barriga, ficando meio quente, 
meio choque elétrico, uma bolinha rolante. 
Não contente, minha máquina enguiçada dos
sentimentos manda essas faíscas da pequena fora e grande dentro explosão 
pras pernas, funil do trágico. 
Sai de quebrante pro chão que ainda me segura,
pra não ser eu uma implosão nesses cumpridos três segundos. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Um viajantes a dois pés

Lá vai um viajante
a dois pés por suas
ruas empedradas.
Dobra a esquerda,
olha as casas
e olha pra flor
cor salmão
em sua mão.
Êh cidade!
Êh contraste!


Uma nova janela

Cá está a vista do meu olho
mirado pra sua janela.
Bunita moldura pra paisagem
que é esse seu semblante.
Janela, in(timida)de garrada
na parede da quina do quarto.
Faz obra artística primaveril
seu rosto pro meu.

Um charmoso beco no caminho

Aqui é tanto beco
que me torna curto
o atalho pronde
vou desimbecanhar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Chuva n° 2

Chove na Barra
e também chove
na barra da minha calça.
Essa enxurrada
desbota meus sapatos,
molha meus dedos.
Não há marquise,
nem ponto de ônibus.
Não há um táxi sequer, nem
um velho orelhão.
A chuva alterna o ritmo,
pinga grosso, cai de lado.
nem precisa pressa,
nem precisa correria.
Melhor é molhar,
melhor é ir andando
como se fosse um sonho,
daqui a pouco toca o celular.

Paraíso movediço

Eu,
por todo lugar que ando
faço poesia.
Nem sempre as escrevo;
nem sempre as lembro.
Faço no olhar de ver do
carro da carona um pacífico
gavião cortando o ar sem pressa,
sem coisa alguma a preocupar.
faço outra quando avisto as curvas
da BR, das pirambeiras, dos
troncos nos precipícios.
Num seria agora a hora de embarcar...
De agora eu prefiro sua boca à seus olhos
me atirando ao desequilíbrio ,
me fazendo imagem da minha insegurança,
do meu pudor. 
Eu não vou me matar hoje não.
Hoje nem é dia, nem é hora
pra black out, pra fim de ato.
Mas também não vou contra
minha embriagues;
o meu paraíso movediço.
Hoje é dia de dar o fora
dessa cena batida;
dessa fala desconexa.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mãos viradas, cabeça embaçada.

- Mãos quentes as suas.
- É...?
- Muito!
 (sentindo)
-Nunca senti isso. (riso de olho perverso)
- Você pode as ter outra vez se quiser.
( beijo ainda mais quente)
- Vai, põe essa mão ai de novo...
(como se queimasse)
- Nossa!
- Nossa (eu)!

Simpática janela
me olha de esguia.
Completa arrendada
por dentro deixa
ao frio vento seus vidros.
Abraçada em laranjas tijolos
essa janela que olha de esguela
não me nota, não me abre porta.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Cólica

Cólica
melancólica
mela
cola.
Me é
cólica
essa melancólica
vida de ser mela
sem cola.

Ártico

Eu sou uma briga
comigo mesmo
sempre. 
Me esbofeto,
arranho a traqueia
dou rasteira e me 
jogo na cama. 
Me molho todo,
de sal ou gozo. 
De chuva de te olhar
e fingir indiferença;
do mergulho gelado
que é me ver nesse 
poço ártico.
Faço de mim noitada;
me jogo vodca 
na boca; quero 
sair do real. 
O real é você;
o fantástico sou eu. 
Eu sou aquele que briga
só; 
que se golpeia vire e mexe. 
E vira raiva, vira riso. 
Um dia vira página.
bem assim...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Mirante

Essa valsa harmoniosa que baila em meus ouvidos
me faz mais encanto por essa cidade.
O sol foca seus telhados,
desfoca meus olhos,
endoura o vapor da chuva na serras.
Este lugar me brotou;
me fez crescer homem apaixonado.
Lá vai indo sol;
lá vai os véus das serras pro céu;
lá vai os cânticos avuadores.
Fica eu no banho amarelo
e assim meu encant,
o meu corte da vida
nessa terra de ouro.