Todo dia ela liga o rádio,
coa o café, abre a casa,
chama pelos filhos.
Todo dia ela faz o almoço,
os prepara para a escola,
grita, penteia, banha, ama,
abençoa.
Todo dia ela os aguarda,
briga, se desespera ao
ver a bagunça nascer, os
bota pra dormir.
todo dia ela é mãe,
todo dia é só ela.
Eles nunca estão,
eles não sabem os horários de seus filhos,
eles não sabem como crescem, como choram,
quando tem fome, quando sentem frio.
Eles são frios, são homens desalmados,
nunca pais.
Ela anda cansada, também pudera...
Todo dia é ela.
Aqui, neste espaço de existir, escrevo aquilo que vaga, recorda, acorda, vulcaneja em minha memória ficcional-real.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Cigarra
A primeira cigarra
antes do alvorecer
O primeiro cigarro,
primeiro mesmo já não era...
A senhora, em meio a pedidos de cervejas
" Fuma não filho..."
" Não fumo, é só esse, de vez em quando"
É pra aliviar.
"As pessoas fumam pra desafogar e sopram
desejando sair na dança esfumaçada
todo o equilíbrio que pesa as pernas."
A cigarra fumada cricrando,
eu criando fumaça,
cuspindo a noite, formando
tonturas, pensando poemas.
Tragadas em hiatos de gargalhadas,
cigarras fumadas,
minha saia rasgada,
a minha cara lavada pra essa rua azul cismada.
Os lábios apertam outra dimensão,
querem beijar outro alguém de outra estação.
Uma nova alvorada,
eu ainda acredito
tenho a cigarra,
a companhia boa da cigarra.
Só a fumaça que entra
e sai. Sai e cricra
cri ca.
Se cria outra palavra.
Assinar:
Postagens (Atom)