estou sendo o hospedeiro
do bom parasita Leminski
aqui dentro.
Aqui, neste espaço de existir, escrevo aquilo que vaga, recorda, acorda, vulcaneja em minha memória ficcional-real.
domingo, 23 de agosto de 2015
uma indicação
De dentro do ônibus
me aponta uma criança.
Será curioso me ver
aqui sentado lendo?
Que medo desapontá-la.
me aponta uma criança.
Será curioso me ver
aqui sentado lendo?
Que medo desapontá-la.
6
Seis da tarde
eu na praça.
desce gente
de carro ou
na calçada.
o sino ficou
na cabeça do menino
e as luzes foram se
acendendo na praça.
eu na praça.
desce gente
de carro ou
na calçada.
o sino ficou
na cabeça do menino
e as luzes foram se
acendendo na praça.
Ainda sobre o fim
No dia que eu não escrever
mais nada sobre você é porque
já não vai mais haver nada
escrito de você dentro de mim.
mais nada sobre você é porque
já não vai mais haver nada
escrito de você dentro de mim.
Vazão
No terceiro andar
dum prédio azulejado
num banheiro também azul
alejado
uma torneira deixa
correr água ralo abaixo
Do outro lado da linha
seu chuveiro pinga,
bate o azulejo,
soa tinindo e respinga
cá no meu ouvido.
No vizinho o leite
de muito quente ferve.
Derrama da caneca,
esbranquece o fogão.
Lá fora chove
e aqui dentro vaza
das vistas pra minha mão.
dum prédio azulejado
num banheiro também azul
alejado
uma torneira deixa
correr água ralo abaixo
Do outro lado da linha
seu chuveiro pinga,
bate o azulejo,
soa tinindo e respinga
cá no meu ouvido.
No vizinho o leite
de muito quente ferve.
Derrama da caneca,
esbranquece o fogão.
Lá fora chove
e aqui dentro vaza
das vistas pra minha mão.
sábado, 22 de agosto de 2015
Perigo, um poeta.
Que perigosa a conversa de um poeta.
declamam delírios embriagados
choram nostalgias repetitivas
e ainda escrevem,
mentalmente rascunham
um nova poesia pra quando chegar em casa
Rimam sequências,
combinam descobinadas combinações.
Perigoso seu conselho,
vá lá saber ser um novo verso
solto no céu da sua boca?!
suas definições podem ser turvas,
denotando a barrenta correnteza
de suas tais certezas.
Uma pausa!
Eis um verso perdido
correndo pros nervos dos dedos.
(Ficar á luz de vela era uma aventura
de olhos fechados sem o pregar das pálpebras)
Eis o poeta uma farsa de sua digital,
das suas impressões e por isso é poesia
o que és.
Se atrever ás palavras,
tê-las feito baralhos nas mãos
é coisa muito impetuosa.
Que perigo esse final...
declamam delírios embriagados
choram nostalgias repetitivas
e ainda escrevem,
mentalmente rascunham
um nova poesia pra quando chegar em casa
Rimam sequências,
combinam descobinadas combinações.
Perigoso seu conselho,
vá lá saber ser um novo verso
solto no céu da sua boca?!
suas definições podem ser turvas,
denotando a barrenta correnteza
de suas tais certezas.
Uma pausa!
Eis um verso perdido
correndo pros nervos dos dedos.
(Ficar á luz de vela era uma aventura
de olhos fechados sem o pregar das pálpebras)
Eis o poeta uma farsa de sua digital,
das suas impressões e por isso é poesia
o que és.
Se atrever ás palavras,
tê-las feito baralhos nas mãos
é coisa muito impetuosa.
Que perigo esse final...
Outra nota
Ouro Preto inspira.
é inspirador esse chão.
inspira o jeito que os morros andam
e como andam aqui seus antigos respirantes
Ah...desse lugar nãotem como não respirar fundo
seja de amor
seja de findar morro.
Esses anjos entornados pelas ruas piram
de ver tantos outros trocando os sinos pelos pés.
há quem de tanto aqui aspirar quer ficar
outros ide proutos lados donde valha-se mar
mas sabeis que mar feito daqui
não mais vai encontrar.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Trocada
De tempos pra cá deu pra fazer a TV de espelho;
o sofá de cama;
a janela de parede;
a rua de casa.
Deixou morrer as pilhas dos relógios e fez de conta que era rebelde.
Estacionou o último livro num canto e nem marcou onde parara.
Trocou o táxi pelo caminhar,
assim podia pensar alto, rir de si mesmo,dos furos da noite e
dava tempo pro álcool sair ou
chance pra alguém passar num carro e convidá-lo a um desvio.
Tratara a geladeira como adega. Não havia nada verde a não ser o letreiro de uma garrafa de vinagre.
Já trocara as coisas mais bobas.
Já mal se trocava a sua feição.
o sofá de cama;
a janela de parede;
a rua de casa.
Deixou morrer as pilhas dos relógios e fez de conta que era rebelde.
Estacionou o último livro num canto e nem marcou onde parara.
Trocou o táxi pelo caminhar,
assim podia pensar alto, rir de si mesmo,dos furos da noite e
dava tempo pro álcool sair ou
chance pra alguém passar num carro e convidá-lo a um desvio.
Tratara a geladeira como adega. Não havia nada verde a não ser o letreiro de uma garrafa de vinagre.
Já trocara as coisas mais bobas.
Já mal se trocava a sua feição.
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