Alguma coisa parou agora.
Alguma coisa não quer mais viver
Alguma coisa pede ajuda e não é ouvida
Alguma coisa morre,a gora
Alguma coisa vai embora
Alguma coisa toma chuva
Alguma coisa acorda e ao acordar
alguma coisa acontece, agora.
Alguma coisa foi dita
Alguma coisa sentiu
Alguma coisa se feriu,
fez cair, alguma coisa se transformou.
Alguma coisa eu desejei
Alguma coisa eu quis e quis a tal ponto
de alguma coisa acontecer
alguma coisa terminar.
Aqui, neste espaço de existir, escrevo aquilo que vaga, recorda, acorda, vulcaneja em minha memória ficcional-real.
quinta-feira, 16 de maio de 2019
Amanheceu num susto do que vivia no outro lado da visão. Se fez vertical em segundos e espiou a cara pra fora das grades. Desfilava em massas densas uma faixa cinza chumbo na encosta e não se via nada além da brancura que desempenhava o frio. Essa umidade que ia brotando de suas mãos e pés; a periferia do corpo se vibrando pela cama, a vasta cama de casal sem a outra parte que levaria jus o leito. Um lençol surrado, feiosinho que virava até charme. A parede pregada por um desenho ou seria imagem duma carta de jogo. O cobertor era que tinha trazido de casa e pra completar uma pilha de livros, papel de chicles, algum cigarro ou pedaço de cigarro,chaves, cartões, papéis soltos, clipes, carteira, preservativos,papel de santo, mais um livro ali sobre espaços e sociedade, isqueiro, bunito, roxo cintilante... A cara da rua não o convidava a se quer ir almoçar gratuitamente na faculdade o que o fez comer um macarrão branco só se salvando pelo tempero de alho e ervas que sua mãe lhe fizera trazer pra casa. A hora aquela vacilação pra correr. A porta ressentida de não ser tocada hoje, a janela de grades se converteu em muralha... A coberta revolta de meias perdidas, o shorts na cabeceira, uma cueca bem clichê vermelha e de bolsinho...dormia pelado porque se dizia agoniado remexer na cama com gola ou virilha travadas. O perfume da casa era algo como uma violeta que acabou de morrer e de vácuo que preenche o ar. O banheiro parecendo uma mina encantada tão funda, tão longe. Nada era mais paradisíaco que mergulhar no edredom de lã quentinha, macio e protetor, mastigar comidas crocantes, suculentas, quentes e cheirosas. Ouvir um cd baixinho que nine o bem fazer a si nesses dias que a hora decide não correr, não avançar, não passar por cima do estado de só estar.
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