segunda-feira, 11 de setembro de 2017

de que serve os mapas?

Encontrei, ontem inda na madrugada, um mapa
despedaçado, tingido, querendo ruir-se.
Olhei-o dentro como se olha no poço fundo.
Avistei alguns tracejos,
rotas findadas pelos cortes de sua territorioidentidade.
Canais, manchas, matas altas, elevaçõs e depressões em alguns pedaços
do que denotava uma terra de ninguém. Fui subindo e encontrei dois faróis apontando pra toda aquela terra aflita de não ter um pé do quê, um gozo de marcas dalguma guerra... num suspenso equilibrio me jogaram os farois e me viram lá dentro..a falta de amor, de amanhacer o sol , de anoitecer a noite, não a cabeça travesseirada de qualquer sono, qualquer descarinho, de qualquer existência.  O mapa se apresentava largo, espaçoso porém farinhado, seco, só água salgada escorria na raridade de um susto  de algum vulcanejo estremecido da planície peito perpendicular. Não encontrei nem um morador, nem um ser vivo a não ser um certo existir , um incerto elemento que rodopiava , buscando a fronteira de qualquer aresta . Abrigava-se, como um bixo a se esconder, por entre o morro do vai e desce , por de trás dos dois faroletes e  podia senti-lo vagar na planicie peitular.

Como um rabo de um cometa

De quando umas vezes
percebido parado,
passeando por poemas antigos 
que vivi por Ouro Preto,
chego a cheirar aqueles instantes,
aquelas vontades,
de vezes em quartos que 
em cantos cheirava a fermento
de pão, a mofo subindo nas gretas. 
Me vejo de cima ladeirando 
sentimentos que não vivi. 
[vivi]. 
O umbigo enterrado nas raízes 
de um limoeiro;
o presente de sete irmãos;
uma mãe arborosa.
Reuniões de jovens 
buscando um sexo
que não existe. 
[Como um rabo de um cometa,
um título nascido de uma variada.]
Coisa que já se passou pela praça
coisa que já desceu pela quebrada.
De quando tudo ás vezes um nada conta mais...
tava calcanhado em novos rumos quando dei com a cara na sua.
Não sei o que deixar sentir e se deixo não sei se sai, se existe.
Existo por sentir o cheiro da pele suada, mato, cavalo sem arreio.
não existo por não saber poder, tocar, molhar junto a essa salmora que mina do seu circuito mapeado de lá, fora daqui.
Aquelas vontades feitas nos meus becos, travessas, pontes e esquinas
todas essas vontades eu as deixo nas pedras de lá. aqui construo novas
formas de irrigar a barba, dormitar andando, assovir a noite pra lembrar passarinho que já fui... Agora sinto falta de coisa que nunca tive. às vezes nao vou ter hoje, nem amanhã, quiçá existirei.
Como um rabo de um cometa disparo desejos ocultos e sombreados por mim mesmo. Te chamo de quando em tudo que tu me atravessa a cabeça e posso ouvir seus sofejos, sua respiração e sua posição linguar trazendo o quente e sambado sonido que sai da sua garganta e vibra no meu peito de rapaz bruxo, silencioso. Existente agora.