Janelas lado a lado
cor bege a madeira
quatro vidros em cima.
Vasinhos sujos de terra
com florzinhas amarelas
margeando a rua de casebres
agarrados do meu barroco.
Cozinha escurinha,
cumprida meio corredor, ornada
de panelas dependuradas,
resto de comes, cheiro de lixo
ruim, geladeira zunida de ronco.
O todo um cinema e o clímax
foi ver um corpo ,
nu, lumiado
pela luz da vela
que queimava acima das cabeças,
atirar num golpe um prato de arroz
janela afora.
Aberto de vestes,
aberto pra janela
simpática.
Um recepiente
cheio de arroz que ele
lançou chuva no telhado da rua.
Desejei ser cineasta ou ator dessa cena.
