quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Uma imagem


Janelas lado a lado

cor bege a madeira
quatro vidros em cima.
Vasinhos sujos de terra
com florzinhas amarelas
margeando a rua de casebres
agarrados do meu barroco. 
Cozinha escurinha,
cumprida meio corredor, ornada 
de panelas dependuradas,
resto de comes, cheiro de lixo
ruim, geladeira zunida de ronco. 
O todo um cinema e o clímax
foi ver um corpo ,
nu, lumiado
pela luz da vela
que queimava acima das cabeças,
atirar num golpe um prato de arroz
janela afora. 
Aberto de vestes, 
aberto pra janela 
simpática. 
Um recepiente 
cheio de arroz que ele 
lançou chuva no telhado da rua. 
Desejei ser cineasta ou ator dessa cena.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Ritual

Tal como 
uma planta se fez
em terra preta,
úmida, eminhocada;
tal fez-se nós. 
Somos brotejantes
racionários de terra. 
Somos ciclos...,
da lua, da água,
do fogo, da terra.
Lua que cálida
e puramente branquida
muito misteriosa
entra maré dentro,
desata corações pernoitados
e atravessa as cercas dos arames farpados,
virando bola nos chifres do gado. 
Ai a água clara, corrida de chuva
fresca e fria duma madrugada inteira;
empoçada pra cão secar remela e sede.
Um furor de fogo vivaz, alaranjado e azul
bailante. Presente no meu corpo que dança o seu na sua boca. 
E no fim a terra que nos uniu;
deu alento, alimento e um leva: o ritual. 



sábado, 5 de dezembro de 2015

Um casamento barroquino

Nesse agora da minha nova vista
acontece um disparate de flaches no céu.
O casório noturno encaminha a noiva
que se esconde por de trás dos castelares
algodões aluminados e deixa correr pra trás
um cumprido véu purinho,
muito aparecido névoa.
Lá em cima faz- se muito barulho.
Parece festa de arromba!
Os convidados esbravejam, se
axaltam nos brindes trovoados.
Cá embaixo roda uns murmurinhos
de sapatos corridos pelas pedras ensaboadas.
Daí inicia uma queda de arroz branco, frio e forte
que nem o amor deles.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Organismo

Órgão
do peito
pleteia
um
organismo
que é seu,
que se organiza
agora ao meu.
Somos nós
organismos
em órbitas
separadas
por energias
variadas.
Somos organóides
vivos, bactericideos
abrigam nossas
veias e transportam
em suas costas
caimbras.
Roga!
Orgasmos
estão tatuados
em nossa pele.
Orgasmos
em pausas,
asmáticos,
afogados
nos umbigos,
boca e nariz.
Um universo
quente desenhado
em suas mãos
eclipsava nas minhas
quando o nosso
universo se compunha,
rimava e dizia alto
o nosso um só
corpo flamejante.
Hoje a chuva
atravessa  nosso
lençol...
A roupa no varal que
cobria nossas desenvergonhas...
Você saiu pela porta antes do sol
sair da dele, mas deixou
a sua parte do organismo
comigo e a minha....
nunca saberei se em você ficou.

sábado, 28 de novembro de 2015

Em carne

Há um pequeno vão momento...
Exite um fio invisível...
Tem um campo ensolarado no seu me ver
Volta um suspiro e meia tá você
vindo com com braços aprontos
prum abraço que trata, preenche, encarna.
São as coisas miúdas que a gente lembra...
O meu espelho, menino, tá emudecido
comigo. Ele tá enublado
por conta de me ouvir.
Às vezes chove tanto no meu quarto...
Às vezes precisávamos mesmo sofrer.
Assim talvez a gente lembra que tem
um chão de ombros nos pés e que
sacada charmosa é sacada sem poucas remelas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Fuga

                                                                                                                 

Emoldurado.
Grampeado.
Fugir seria um verbo
saído pelas arestas;
saído de quebrante.
Poderia ser dito covarde.
E pode ser apenas ir.
Correr, pensar com as pernas.
Andar por andar.
Pelo simples ato de lançar
pé direito e pé esquerdo.
Cortar o ar na cara,
deixar rolar o resto da tarde.                                                                                

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Talvez um endereço

Dessa rua que só acaba
bem lá em baixo
tem uns postes que
colorem o caminho,
amarelam meus passos.
Famílias em sombras
nas janelas,
movimentos...
A novela televisionada;
a janta pronta no prato;
um jardim muito calmo.
Um contorno meu
me acompanhando ;
um latido;
um vulto pássaro.
Cabeça caida;
o olho pra cima.
o mar bem escuro;
um barco bem branco
aparentemente derivado,
deriva no meu olho.

sábado, 17 de outubro de 2015

Agora, não agora.

Sem validade,
sem fim marcado.
Desconheço o prazo,
não quero datas.
Prefiro o agora,
cheiro a primavera de hoje.
Não espero o sono,
não arrumo a cama.
Sei do sol,
sei da noite
e sinto falta
da chuva forte
que é pra lavar
essa esperança
falsa do amanhã.
O lance é de agora.
É a pólvora desse
gatilho que me atira,
salienta minhas veias
de sangue quente
e púrpuro.
Do amor- que um
dia virá-
eu não aguardo
os sonhos que
outrora senti.
do amor acredito
nesses de bar,
das viradas da noite,
do pulo de carnaval.
Esses acontecem,
flamejam, queimam.
E da vida espero apenas
o bem estar de estar aqui, agora.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Olho nu olho

Olho nu olho
vamos brincar de
quem pisca primeiro.
Olho nu olho
você me viu primeiro
ou fui eu?
Olho nu olho
desviamos a curva
juntos, mas a vontade
era seguir estrada.
Olho nu olho
não deixamos
nosso olhar
cruzar do outro ainda.
Olho nu olho
eu fico despido,
e mais um pouquinho
me lavo se continuar
olho nu olho
com você.

Toda vez

Toda vez que tenho de te olhar
acontece uma minúscula e não vista
a olho nu grande explosão de não muitas
proporções externas, mas catastróficas nos meus olhos
que sismam em enxergar e molhar toda minha barba. 
Nesses momentos não entendo como meu comando
central não me faz ator; me põe uma máscara carnavalesca
ou me faz apático, cara de parede branca.
Te lanço dinamites microscópicos que refletem 
nas suas duas janelas esverdeadas e voltam com tudo
pros meus pequenos lagos apimentados. 
Daí segue esse alagado garganta abaixo e
faz quedá lá na barriga, ficando meio quente, 
meio choque elétrico, uma bolinha rolante. 
Não contente, minha máquina enguiçada dos
sentimentos manda essas faíscas da pequena fora e grande dentro explosão 
pras pernas, funil do trágico. 
Sai de quebrante pro chão que ainda me segura,
pra não ser eu uma implosão nesses cumpridos três segundos. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Um viajantes a dois pés

Lá vai um viajante
a dois pés por suas
ruas empedradas.
Dobra a esquerda,
olha as casas
e olha pra flor
cor salmão
em sua mão.
Êh cidade!
Êh contraste!


Uma nova janela

Cá está a vista do meu olho
mirado pra sua janela.
Bunita moldura pra paisagem
que é esse seu semblante.
Janela, in(timida)de garrada
na parede da quina do quarto.
Faz obra artística primaveril
seu rosto pro meu.

Um charmoso beco no caminho

Aqui é tanto beco
que me torna curto
o atalho pronde
vou desimbecanhar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Chuva n° 2

Chove na Barra
e também chove
na barra da minha calça.
Essa enxurrada
desbota meus sapatos,
molha meus dedos.
Não há marquise,
nem ponto de ônibus.
Não há um táxi sequer, nem
um velho orelhão.
A chuva alterna o ritmo,
pinga grosso, cai de lado.
nem precisa pressa,
nem precisa correria.
Melhor é molhar,
melhor é ir andando
como se fosse um sonho,
daqui a pouco toca o celular.

Paraíso movediço

Eu,
por todo lugar que ando
faço poesia.
Nem sempre as escrevo;
nem sempre as lembro.
Faço no olhar de ver do
carro da carona um pacífico
gavião cortando o ar sem pressa,
sem coisa alguma a preocupar.
faço outra quando avisto as curvas
da BR, das pirambeiras, dos
troncos nos precipícios.
Num seria agora a hora de embarcar...
De agora eu prefiro sua boca à seus olhos
me atirando ao desequilíbrio ,
me fazendo imagem da minha insegurança,
do meu pudor. 
Eu não vou me matar hoje não.
Hoje nem é dia, nem é hora
pra black out, pra fim de ato.
Mas também não vou contra
minha embriagues;
o meu paraíso movediço.
Hoje é dia de dar o fora
dessa cena batida;
dessa fala desconexa.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mãos viradas, cabeça embaçada.

- Mãos quentes as suas.
- É...?
- Muito!
 (sentindo)
-Nunca senti isso. (riso de olho perverso)
- Você pode as ter outra vez se quiser.
( beijo ainda mais quente)
- Vai, põe essa mão ai de novo...
(como se queimasse)
- Nossa!
- Nossa (eu)!

Simpática janela
me olha de esguia.
Completa arrendada
por dentro deixa
ao frio vento seus vidros.
Abraçada em laranjas tijolos
essa janela que olha de esguela
não me nota, não me abre porta.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Cólica

Cólica
melancólica
mela
cola.
Me é
cólica
essa melancólica
vida de ser mela
sem cola.

Ártico

Eu sou uma briga
comigo mesmo
sempre. 
Me esbofeto,
arranho a traqueia
dou rasteira e me 
jogo na cama. 
Me molho todo,
de sal ou gozo. 
De chuva de te olhar
e fingir indiferença;
do mergulho gelado
que é me ver nesse 
poço ártico.
Faço de mim noitada;
me jogo vodca 
na boca; quero 
sair do real. 
O real é você;
o fantástico sou eu. 
Eu sou aquele que briga
só; 
que se golpeia vire e mexe. 
E vira raiva, vira riso. 
Um dia vira página.
bem assim...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Mirante

Essa valsa harmoniosa que baila em meus ouvidos
me faz mais encanto por essa cidade.
O sol foca seus telhados,
desfoca meus olhos,
endoura o vapor da chuva na serras.
Este lugar me brotou;
me fez crescer homem apaixonado.
Lá vai indo sol;
lá vai os véus das serras pro céu;
lá vai os cânticos avuadores.
Fica eu no banho amarelo
e assim meu encant,
o meu corte da vida
nessa terra de ouro.

domingo, 23 de agosto de 2015

...

estou sendo o hospedeiro
do bom parasita Leminski
aqui dentro.

uma indicação

De dentro do ônibus
me aponta uma criança.
Será curioso me ver
aqui sentado lendo?
Que medo desapontá-la.

6

Seis da tarde
eu na praça.
desce gente
de carro ou
na calçada.
o sino ficou
na cabeça do menino
e as luzes foram se
acendendo na praça.

Se meu amor por você fosse
figurado numa lesma que
faz suspense no meu piso,
eu faria a ti uma emboscada:
um rastro de sal.
Toda vez que
faz silêncio em mim
eu lembro que estou
no movimento da terra.

Ainda sobre o fim

No dia que eu não escrever
mais nada sobre você é porque
já não vai mais haver nada
escrito de você dentro de mim.

Vazão

No terceiro andar
dum prédio azulejado
num banheiro também azul
alejado
uma torneira deixa
correr água ralo abaixo
Do outro lado da linha
seu chuveiro pinga,
bate o azulejo,
soa tinindo e respinga
cá no meu ouvido.
No vizinho o leite
de muito quente ferve.
Derrama da caneca,
esbranquece o fogão.
Lá fora chove
e aqui dentro vaza
das vistas pra minha mão.

sábado, 22 de agosto de 2015

Perigo, um poeta.

Que perigosa a conversa de um poeta.
declamam delírios embriagados
choram nostalgias repetitivas
e ainda escrevem,
 mentalmente rascunham
um nova poesia pra quando chegar em casa
Rimam sequências,
combinam descobinadas combinações.
Perigoso seu conselho,
vá lá saber ser um novo verso
solto no céu da sua boca?!
suas definições podem ser turvas,
denotando a barrenta correnteza
de suas tais certezas.
Uma pausa!
Eis um verso perdido
correndo pros nervos dos dedos.
(Ficar á luz de vela era uma aventura
de olhos fechados sem o pregar das pálpebras)
Eis o poeta uma farsa de sua digital,
das suas impressões e por isso é poesia
o que és.
Se atrever ás palavras,
tê-las feito baralhos nas mãos
é coisa muito impetuosa.
Que perigo esse final...

Outra nota

Ouro Preto inspira.
é inspirador esse chão.
inspira o jeito que os morros andam
e como andam aqui seus antigos respirantes
Ah...desse lugar nãotem como não respirar fundo
seja de amor
seja de findar morro.
Esses anjos entornados pelas ruas piram
de ver tantos outros trocando os sinos pelos pés.
há quem de tanto aqui aspirar quer ficar
outros ide proutos lados donde valha-se mar
mas sabeis que mar feito daqui 
não mais vai encontrar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Trocada

De tempos pra cá deu pra fazer a TV de espelho;
o sofá de cama;
a janela de parede;
a rua de casa.
Deixou morrer as pilhas dos relógios e fez de conta que era rebelde.
Estacionou o último livro num canto e nem marcou onde parara.
Trocou o táxi pelo caminhar,
assim podia pensar alto, rir de si mesmo,dos furos da noite e
dava tempo pro álcool sair ou
chance pra alguém passar num carro e convidá-lo a um desvio.
Tratara a geladeira como adega. Não havia nada verde a não ser o letreiro de uma garrafa de vinagre.
Já trocara as coisas mais bobas.
Já mal se trocava a sua feição.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

De ventos eu sou

A ventania que me trouxe
veio antes mansa, anunciando
que eu viria num embalo simples,
mas não de meia boca.
Aliás, nunca fui mesmo de meias...
elas sempre saem sem seus meios.
A mesma ventania enquanto
me trazia nos seus braços,
me cantava sussurros de como
as coisas ventavam lá em baixo,
lugar pro qual eu ia dar.
Fui posto no meu chão de pedras
em iniciozinho dum Setembro
de ventos mansos.
Fui batizado pequeno filho
de ventania mansa.
Fui chorando, tropeçando e
brincando pelos morros sempre
guiados pelos ventos que me trouxeram aqui.
hoje, feito homem, de trilhos feitos,
esboçando novos, galgando horizontes
de terra, cerca ou ferrovias, não temo o desconhecido.
Eu sei que bem aqui dentro de mim ainda ressoa
todas as palavras mansas que me foram depositadas
quando eu ainda era um desejo a ser ventilado aqui em baixo.
Eu tenho comigo pequenas e fortes certezas que
meus ventos vão acabar dando em outros lugares,
se ajuntando a outras ventanias e talvez formando vendavais
memoráveis pruns cantos, hoje, inimagináveis.

Nó de cadarço

...E eu corria tanto,
e quase tropeçava.
Sentia a nuca úmida
do suor da pressa,
da incerteza,
da loucura que era
pensar sempre em você.
E eu quase tropeçava...
Minhas pernas quase se trançavam.
Quase me derrubei dum alto olhar
meu, que arranhava céu o seu
...meio baixos.
Nas linhas bloqueadas pelos nós
que os cadarços preparavam pra mim,
eu quase sucumbi ao concreto chão.
Bufava, arfava, exauria meus pés da cabeça
em volta de tudo que já conhecia,
no mesmo pátio, no mesmo cerco sem furos,
no mesmo muro sem cacos de vidro.
Daí quando senti a secura na boca,
a produção acelerada da saliva,
a tontura na cabeça que ia feito trem bala
pras pernas quase emboladas...freei.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Suposto

Eu sinceramente tenho muitas palavras
pra você.
Já pensei num livro, até.
Tenho a capa em mente e esboço de orelha.
Mas seria demais verbos, demais adjetivos
em demais seria os casos de choro.
Poderia passar tudo pra palavras de alguma editora
bacana que topasse um romance não vivido,
nem se quer havido.
De repente fizesse  sucesso.
Mas nem esperaria por isso.
Contentaria por saber alguém o lendo.
Tomara não se identificando.
Seria fino, leve, mas não como a quase real historia.
Uma pena não conseguir compactar tudo num livro.
Ou, que sorte não conseguir jogar tudo isso num impresso

paginado pra alguém se emergir em lágrimas ensaiadas. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Prazer

Pelo prazer de sentir o corpo
preenchendo a cama
em ossos e carne.
Pelo prazer de sentir os pés protegidos,
o peito aquecido,os ouvidos atentos a respiração,
ao movimento do sangue.
Pelo prazer do silêncio, da noite quieta,
das imagens do dia.
Pelo prazer do sono imediato, sonho paraíso,
de viagens espaciais, quedas livres, vôos,
amores passageiros, beijos desejados.
Pelo prazer do acordar à luz do sol;
à fome do novo dia posto na mesa;
o frescor entre os dentes;
o sorriso de um bom dia.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Sem sentido

De tanto sentir
se viu sem o seu ti.
Sentia que tinha
de ser, acontecer.
Se via noutros lugares,
debaixo de árvores,
atrás dos olhos.
Sentia muito,
sem vida a pouco.
Era trotar,era
velocidade de procissão.
Era um telefonar residencial
pra parente de muito lá.
Sentiu qualquer gosto,
julgou qualquer sabor.
Ficou sem sentido
os pequenos sentidos.
Ficou sozinho,
sem a quem sentia.
Sentia muito.
Sentia muito. 

domingo, 10 de maio de 2015

Vestido

Vestido
á sua veste,
vi na minha vestida
sua pouca investida.
Invertida a sua veste,
não coube em mim 
sua vestida acusturada.
Sem vestes, sem verdes,
não deu pra vestir
aquilo que pensara 
eu sentir de ver em mim,
vestido.


Sorrio

Eu sou um rio.
Arrio dentro de mim,
deságuo fora daqui.
Sou um rio longo,
de percurso e de viagem.
Rio manso, rio descalço.
Rio trovoada, rio minar d’agua salina.
Sou de nascença das serras,
mar de verde perto,logo ali.
Sou rio fluente,
sou rio de dia e na chuva.
Sorrio as pedras,
sorrio as coisas,
riacho por aí.
Rio, acho, por dizer
ser de bem. 
Ver os quem.
Sorrio por
conhecer o rio,
Sou rio por conhecer

o riso.

Amigos

Eu tenho comigo
alguns seres
que chamo de amigos.
Tenho comigo seus conselhos
seus divertidos carnavais.
Tenho deles o sorriso 
a metros antes de nos
abraçarmos.
Tenho deles a verdade
sobre o que sou,
sobre o que faço.
Tenho amigos
que são amigos
entre si.
são irmãos de
casas diferentes.
Tenho amigos
de confidências,
de lágrimas vividas,
de desencontros
necessários
da vida.
Tenho deles
o amor gritante
abaixo das pálpebras.
Tenho deles a fortaleza,
a coisa a se lembrar
quando penso estar
só no mundo.
Sou deles,
tenho muito deles.
Sou fiel á nossa
cúmplice arte,
A nossa vida
de encontros
nostálgicos.
Ao nosso presente
de sermos uns
pros outros

bons amigos.

Berço de pedra

Aqui é lugar que choro e minha mãe escuta.
É meu berço do mais bonito partir do sol.
É meu lar desde o gatinhar e me abriga hoje,
que já posso acalcanhar.
Aqui sei onde buscar água preu beber
e sei da casa que tem do que eu comer.
Aqui sei do tempo pelo sino,
sei do frio pelo vento.
E sei mais...
sei hoje,
sei de ontem.
Ouço coisas,
vivo a subir,
vivo a descer.

Ouvido sexual

Antes, ouça!
A voz seduz.
Gravemente chega
nos pés do ouvido.
Sussurra palavras
quentes.
Embocanha toda
parte periférica.
Umidifica-a!
Respinga saliva morna
levada de novas quenturas
silábicas.
Ditas coisas aquecem
as idéias,
criam as imagens.
A carne molhada ferve
as bordas de um ouvido sexual.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Palavras

Tônicas,
silábicas
atônitas,
acentuadas.
De gosto,
saudosas
de cheiro
de tom.
Cruzadas,
rimadas,
picadas,
azedas.
Negritas,
italianas,
rubricadas,
datilografadas,
pintadas,
rabiscadas,
infantis.
Pois digo,
com palavras:
Elas
podem mentir,
podem reter.
Palavras podem
dizer,
resgatar.
levar.
Palavras,
esboçam
os desenhos
feitos na cabeça.
Se ficam
bem no papel
isso vai da cor
que damos a elas.
A cor se chama
verdade,
sinônimo
de sentir.

sábado, 2 de maio de 2015

Televisão de cachorro

Há uns dois sábados
Dona Silva instalara
no seu butecão
a TV pra cachorro.
Sua freguesia agradou
da nova moda
que só tinha pras banda
da igreja matriz.
Os cachaceiros já fiavam
os frangos de Dona Silva
pra ter um grado em casa.
Não demorou e os tais frangos
rodaram nas bocas e pratos
da redondeza.
Mas não nas dos vira latas.
Os coitados, sarnentos, admiravam
aquelas coxas douradas girando
e pingando o óleo na lata quente.
O cheiro do assado no fucinho
faziam-no abanarem o rabo
e esticarem a língua...seca.
E os frangos faziam fama.
Mais cachaceiros iam chegando,
Bebendo a dose diária e esperando
o sábado do frango de D. Silva.
A viúva, corpulenta e amante dos vestidos florais,
 tomara as rédias depois que Seu Silva partira
dessa pra melhor (ou pior, já que carregava
 a fama ,entre a clientela, de unha de fome).
O anúncio,escrito a mão,de letras tortas
dizia: "Compre aqui seu frango assado na hora.
Já vem com tempero!''
E os pobres tomba latas
faziam roda,junto
ás moscas frenéticas à frente do que
parecia uma TV em dia de clássico
de futebol.
Era uma ampla TV de cachorros. 
Ali ficavam de prontidão
torcendo para que D, Silva, ao
abrir a máquina, deixasse um assado gordo
e suculento cair e ganhar gosto
nos dentes e guelas 
dos pobres rasga lixos .

                

Despido

Não tenho mais sapatos.
As solas estão gastas de ir
á sua procura.
Não tenho mais camisas limpas.
As mangas estão manchadas
de secar meu choro de você.
Não tenho mais as calças.
Elas furaram e rasgaram de tanto te esperar...
sentado por algum meio fio.
Não tenho mais casacos de frio.
O calor ao te ver me tirou eles.
Não tenho mais roupas pra te ver,
pra te encarar.
Estou despido á sua frente.
Vulnerável ao seu ver.




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Aguazarra

Canários
se banham na poça
criada pela chuva da madrugada.
Fazem aguazarra!
Algazarram no 
círculo líquido transparente.
Se banham pro voo 
sem hora, sem coisas 
certas pra se fazer,
galhos certos a pousar. 
Por isso aguazarram
livres os amarelos
canários. 

Volta e meia

Não sou de volta e meias.
Se me tens,regue-me.
Cultive!
Se deixares secar,
morrerei.
Mas em ti,
não em mim.
Em mim viverei em outros.
E se parto, não volto.
Não sou de volta e meias.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Só literário

Um homem só literário.
Um homem só em seu apertamento.
Um homem só em suas triste frieza.
Só em seus papéis escritos por ele mesmo.
Preso em suas histórias não vividas.
Imerso na sala decorada de angústias.
Em perigo na sua sacada de nostalgias.
Sua adega vazia, a TV esquecida,a música
feita, no ali instante.
As cortinas abertas pairam a poeira.
Cheiro de cigarro.
Cheiro de coisa velha no abrir da geladeira.
Seu cheiro nas paredes.
Uma fila de formigas aos esforços pelos farelos.
O quarto virado, as camisas dependuras por de trás da porta.
Avisos a si mesmo: dentista,contas, datas...
Uma garrafa dum vinho já embriagado. Vazia!
A porta do banho aberta e branca. Úmida!
A pia respingada.
O sabonete desmanchando.
O espelho com digitas,
lâmina de barbear criando ferrugem.
A cozinha mal cuidada. Sozinha!
Lixo escapando os mosquitinhos.
Pratos amontoados e copos em restos.
Cheiro de assado.fósforo sem cabeça,
jornal velho. Uma laranja morrendo!
A solidão instalara-se  naquele bloco de morar
de um homem só literário.

Frio

Frio na barriga
que janta não aquece.
Frio nas pernas que
jeans não segura.
Frio na voz que a
boca não age.
Frio,inda mais,
abaixo da média,
no peito...
periferia de um
coração alagado.
Magoado de ver você
afogado aqui dentro.
E hoje o salva vidas não vem.
Ficou chorando amor num
canto frio da casa.


domingo, 26 de abril de 2015

Trilha poente

Numa trilha o sol me deixou ver,
me regia de raios mornos.
Me completava a cabeça
e caia sobre meus braços.
Lumiava minhas pernas andantes
e brilhava meus pés de terra.
Três vezes o sininho tibetano.
Três respirações sem ações.
Parado na trilha, cruzei, no olhar,
outra de folhinhas cortadas
sendo carregadas.
Um casal de asas acima.
Meu destino me levando à norte,
poente daquele sol.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Fora de órbita

Pare.
Olhe.
Escute.
A linha pede.
Despede.
Esfumaça!
Despe-se e
veja!
Você cai.
Está fora da órbita.
Suspensão dos anéis,
tombamento do satélite
esburacado.
Fora da gravidade.
Do firmamento
azul e preto.
Voa sem penas,
sem horizontais.
Enxerga com vendas.
Avista o nada.
Pare!
Você cai.

Ai!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Deixe-me


Não me ligue,
nem pergunte como estou.
Não bata meu
interfone nem
deixe mensagem de voz.
Não me escreva,
não me dê ''Bom dia''
muito menos "boa noite'',
pois elas não são.
Não envie cartões,
não reze por mim.
Me deixe só, me deixe
cá...quieto.
Deixe-me sozinho,
no meu canto de morar.
Aqui eu comigo
ouço o que quero,
repito o disco, escrevo,
amasso papéis no chão,
rabisco palavras noutros.
Apago as luzes,
assopro um chá.
Só, sus sussurrando
o diálogo que eu crio no papel.

Passarar

Passar por lá.
Passarar os fios
da rua, do céu.
Passô em passos...
Emaranhar nos galhos,
vuaçar nas folhagens.
Sê avuante, sê do sol.
Passarará um dia inteiro
com bando ou sem ;
com norte ou não.
Levantar do meu ninho
de cobertores de algodão
e bater minha liberte
prum ninho de meu fazê,
nova arte de coser em ramos.
Deitar nus altos e
ter abaju de estrela,
coisa morta que reluz.
E nos dias do frio, da chuvarada,
fazer estadia num buraco de telhado
de algum lar de crianças que brincam,

que farelam,risonhas, no terreiro. 

sábado, 11 de abril de 2015

Pensão dos postes

Migrarei amanhã
ou depois.
Não tarda e até
a trouxa já faço.
Migrarei prum alto.
Quero me refugir
dos galhos frágeis
que me abraçaram;
dos raios oculares
que quase me cegaram;
da chuva fria de sons
que saíram de sua boca.
Vou pra pensão dos postes!
Voarei ainda na madrugada
que é pro sol não me ganhar,
que é pra nenhum outro
avuante saber de mim,
e garoar até a sua janela.
Serei hóspede de outro
lugar, outro abraço,
outra história de amar.

ps.: Talvez nos encontremos,um dia,num bando á procura de sol.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

( )

Esclareço, a bem "minha moda":
O que germina cá dentro,
eu broto cá fora.
E irrigo a bom som,
à boa noite.
Deixo crescer,
permito cair.
Se flores darão
a seca (deles) não deixam...
Mas não me importam as flores...
elas sempre murcham e se aterram.
Contento-me em brotejar e,
se carecer, choravisco.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Interior de mim

Café posto à mesa de toalha clara.
Caneca esmaltada vermelha
soprando fumaça e farelo
amarelo no chão.
Mãos quentes de gente
com lenço preso na cabeça.
Vassoura na quina
que encosta a janela.
Panelaço cheira na lenha.
Angu de ontem coberto de rendinha.
Lá fora, porteira aberta
pela ventania...
Cavalos soltos e meninos
descamisados ao redor das
vestimentas suspensas.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Íntimo preto

Esse lugar de Ouro Preto tem dias que acorda aos chorinhos,
aos resfriados embaçados nos vidros das janelas,
aos embrulhos dos seus moradores.
Tem uns dias que o cinza é sua cor e tudo vai caminhando
a passos lentos, ao frio adentro.
Há também (sim senhores), dias calorosos,
de andantes doutros países,
de fotos de nossas torres.
Se é cachaça que esquenta o povo,
essa não aquece o meu peito,
moradia de um amor avesso que choraminga
seus resfriados amorosos, quieto,
no seu quarto de Ouro Preto.


Telhados

São uns telhados rasteiros,
agrupados aos vizinhos.
Alaranjados e desbotados
de tanto guardar luz de sol,
de tomar banho da chuva.
Amontoados pelas
ventanias agostinas...
ressequidos de frio junino.
São retalhos de telhados
que possuem escapes fumaçais
da lenha queimada;
que abrigam pássaros veraneios
e aqueles que se pensionam do inverno.
São telhados que colecionam
dentes da criançada,
pipas agarradas e em uns
até crescem raminhos verdes.
São telhados de Minas,
de ver a longe,
de sentir-se em casa.

domingo, 5 de abril de 2015

Ondas

Ondas telefônicas
ondas de maré alta
ondas cerebrais
ondas dos fios
elétricos dos 
postes da cidades. 
De todas as ondas
curvilíneas
e até as do seu corpo,
prefiro as nossas cerebrais.
Essas trazem em seus
quebrares o nosso gosto,
nossa diferença,
nossas ondas momentâneas
e as passadas.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Eclipse sol olhar


Já vi muitos entardeceres
e me perdi num deles.
Num destes vi você
que também se perdia.
Deixei me perder
no entardecer pelo
seus olhos perdidos.
 O sol se banhava
em meus olhos
e se espelhava no seu.
Feixe de amarelo vermelho.
O entardecer indo
nosso permanecer
ficando.Parado! 
O sol somente
em seus olhos
que não se punha,
nunca crepúsculo virava.
Era meu, me irradiava.
E quis ver de perto a cor.
A quentura.
Encontramos uma mesma
órbita.         
A lua no céu chegando
e o nosso sol se encontrando.
Chuva de eclipse.

Sol olhar.

terça-feira, 24 de março de 2015

Janeiro

Vem fazer janeiro comigo
tomar o trem sem destino, ir além.
Se nos perguntarem pra onde vamos,
a gente ri e diz que o lugar está em nós.
Se soar estranho, a gente corre de mãos dadas.
Quando anoitecer prometemo-nos
ficar acordados pra ver como
se despedem as estrelas.
Vamos receber o sol e dormir
um sono tranquilo nos braços um do outro
até o próximo amanhecer .

[Escrito d'uma paixão intensa. Cítrica!]

segunda-feira, 23 de março de 2015

Noite Obscena


Uma garagem apertada
de dançantes
performáticos.
Calor!
O bloco na rua
ali dentro, naquele
retângulo de calores.
Gentes aos dentes a mostra,
pernas em zig...
E o bloco!
confetes,
sorrisos,
peles suadas...
Ele!
Tempo um.
As pessoas em segundo plano
embaçadas.
Ele!
Seu cabelo negro.
Sua pele café ao leite.
Sua boca macia.
Pudim!
O bloco na rua
soando ao brado no ar
nas bocas.
Nossa boca.
Uníssona!
Nosso suor colado.
Nossos olhos se beijando.

E o bloco na rua! 

domingo, 22 de março de 2015

Se foi


Se já não posso mais ouvir sua voz em meu silêncio,
nem sentir teu cheiro na ausência de perfume...
Se não há mais a geografia dos seus olhos arquivada
no breu do meu piscar...
Se não desejo a maciez sólida da sua boca...
Se meus lapsos não vêem você no escuro do meu quarto
e se tais lapsos não me dizem mais como se vestia 
da última vez que lhe tive a paisagem...
Se ouço certa canção que você protagonizava o clipe vídeo
e só a letra me convém...
Se agora, tudo cabe ao “ se”... se foi.

Paixão passada,
coisa pra nostalgiar com carinho, 
escrever com olhos d’água. 

Batuque luau

De onde minhas vistas avista
é vista a lua que suspira a nuvem.
Engole a nuvem.
Cá abaixo da vista, o chão
é quente dos pés que sustentam
os dançantes.
Avisto aos ouvidos o batuque
da lata de saculejar.
O céu é vasto em branquidão lunar
e eu, ser de escrever, penso que
a velhice um dia me senta num sofá
e nostalgia esse presente.

sábado, 7 de março de 2015

Lua-sol

Ainda me questiono
ser dia ou noite.
A lua é o sol que
se pode olhar
sem apertar os olhos.
Faz toda amarelo e
casa bem com a noite
dos pirilampos,
cri cris,
latidos distantes,
com a paz do aqui,
agora.
Embebedar-se de você,
lua-sol, faz de mim
iluminado grão
apaixonado.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Vaga Lume

Há vaga!
Aqui dentro,
nesse vagueio obscuro,
há vaga.
Não plural,
não inquilinos.
Há vaga pra você.
Aqui dentro,
nos calores vagos
do meu peito,
há vazão.
Os vagões
do meu pensar trazem,
sem vagos lugares,
você a lumiar.
Divagar seu olhar
me faz pressa em te ver.
De vaga, há lumes.
Dos devaneios,
você lumia.
Ha vaga,ainda,
pra o ser sem
vazões de amor.
De vagar...
O anúncio
de minha vaga morada
vazou até você.
Vazou minha barba.
Logo, meu vago
espaço escuro,
abrigará você
de lumes
vaga lumes.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Olhos de carnaval


Com olhos fechados
eu vejo pelo seus olhos.
Aos meus olhos,
vejo os seus
belos e grandes
caramelos olhos.
A orla dos seus olhos
faz meus olhos
percorrer os seus...
cintilantes e sorridentes
olhos.

Desejo de agora


Queria eu voar
pra outros cantos
outros tantos
nascer de dias
anoitecer de tardes.
Queria eu voar além meu canto
ir pra onde canta o branco.
Em vir e ir, 
queria ir pra onde
ainda me é desconhecido
Lugares em fartos ares
de muitas gentes jogando vida.
Partir a despedida em fatias descontinuas
Sem planos, sem voltas,
 sem datas nem malas prontas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Como piscina rasa

Uma garrafa
mantêm minha coragem...
líquida.
A fumaça meu prazer...
ventilado, ido. 
Um sabor, minha
fome, saciada.
O beijo,mordido,
marcado. 
Levado a outro prazer,
a outra vontade. 

Bonito menino

Em noites passadas se esforçava
para lembrar seu rosto.
Vinha até ele apenas o seu olhar
e o gosto do seu beijo.
A beleza dentro de ti era visível a ele...
Foi um fotógrafo à sua frente os
seus olhos de sorrisos.
O seu jeito menino o abraçou
os sentidos.
Bonito o seu sorriso!
Bonito o seu ser, menino.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Fevereiro

Fazer um nada aqui da janela.
Ver a chuva cair e escorrer pelo chão...
Daqui aos respingos, os pingos engrossando...
A chuva molhando as casas...os telhados.
O céu em brancos e cinzas...
As nuvens ajuntadas com buracos,
sem formatos.
Os pingos pelos pingos
e através deles mesmos caem aqui
e ali, no mesmo lugar.
A poça crescendo e tudo desaguando
pra cá que é começo de Fevereiro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Entrega


A vida dói por falta de entrega.
O dia é pesado;
as coisas são frágeis;
o caos é comum.
Os pés só irão reclamar
se a caminhada for
demais apressada.
O ar só vai faltar
se a fala for mais
do que o ouvir.
O amor vai nos atingir
quando desviarmos
o olhar para baixo e
para os lados.
Transmute-se numa formiga
e olhe ao redor...
O infinito está aqui,
o espaço é este.

Chuva


Estalo de chuva

Ruído da mata

Poça formada

Lama criada

Segundos de trovões

Instantes de apagões

Procura logo velas

Que luz pisca em alerta

Feche as janelas que chuva brinca de onde cair.

Mamãe dizia que essa barulheira eram as panelas que caiam lá em cima.

Nos abraçava aos montes com medo da ventania.

Ela tinha era medo mas, tinha de ser mãe.

Olha! Lá vem a nuvem bem escura e traz chuva pra toda essa tarde.

Nenhum pássaro voa, nenhuma criança brinca, nem um cachorro abana o rabo e o varal está vazio. 
 A TV desligada, o silêncio de visita, a porta bem fechada.

É só água, enxurrada e barulho no telhado.

 É dia de chuva!

Sobre efeito

Um calor me percorre.
Estou em nuances?
Sobre efeito!
Efeitos além dos poros dos que falam
a minha frente, ao meu lado.
Me fixo numa estrela tão grandona...
de tanto branco, reluzente.
E danço sons...

Da baía

Águas ao vento
Ventos ás aves
Aves ás árvores
Árvores ao chão.
Eu, no chão, a ver as águas;
ouvir os pássaros;
sentir o vento 
e senti-lo em sombras d'árvores.

Escrito no Rio.  
01/01/15

Sua marca



O copo que você encostou seus lábios ainda está na mesinha de centro.

Não tive coragem de pegá-lo para não perder de vez seu hálito quente e agridoce.

A marca desenhada de sua boca roseada e pequena se manteve no copo.

Brindamos amor antes das cortinas esvoaçarem e o despertasse.

Abraçamos nossas bocas e perduramos...

Deixou somente a marca do bem que me trouxe.

O copo vira decoração!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Busca


Em busca de amor
 encontrou o frio.
Em busca,ainda, de alguém
fez amigos.
Ainda à procura achou o vazio próprio.
Percebeu-se embriagado sentimentalmente
e assim aposentou-se da caça.
Decidiu parar.


domingo, 11 de janeiro de 2015

Terminal


Estou é a juntar histórias pra me nostalgiar
lá no findar dos dias.
E danço áfrica, axé e criolo.
saculejo esse corpo andante das ladeiras e
conheço tantas gentes...
Uns também dançantes e uns outros
somente vigilantes desse tempo que corta...
faz doer.

Escritos de uma noite dançante.