No terceiro andar
dum prédio azulejado
num banheiro também azul
alejado
uma torneira deixa
correr água ralo abaixo
Do outro lado da linha
seu chuveiro pinga,
bate o azulejo,
soa tinindo e respinga
cá no meu ouvido.
No vizinho o leite
de muito quente ferve.
Derrama da caneca,
esbranquece o fogão.
Lá fora chove
e aqui dentro vaza
das vistas pra minha mão.
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