Um homem só literário.
Um homem só em seu apertamento.
Um homem só em suas triste frieza.
Só em seus papéis escritos por ele mesmo.
Preso em suas histórias não vividas.
Imerso na sala decorada de angústias.
Em perigo na sua sacada de nostalgias.
Sua adega vazia, a TV esquecida,a música
feita, no ali instante.
As cortinas abertas pairam a poeira.
Cheiro de cigarro.
Cheiro de coisa velha no abrir da geladeira.
Seu cheiro nas paredes.
Uma fila de formigas aos esforços pelos farelos.
O quarto virado, as camisas dependuras por de trás da porta.
Avisos a si mesmo: dentista,contas, datas...
Uma garrafa dum vinho já embriagado. Vazia!
A porta do banho aberta e branca. Úmida!
A pia respingada.
O sabonete desmanchando.
O espelho com digitas,
lâmina de barbear criando ferrugem.
A cozinha mal cuidada. Sozinha!
Lixo escapando os mosquitinhos.
Pratos amontoados e copos em restos.
Cheiro de assado.fósforo sem cabeça,
jornal velho. Uma laranja morrendo!
A solidão instalara-se naquele bloco de morar
de um homem só literário.
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