antes do alvorecer
O primeiro cigarro,
primeiro mesmo já não era...
A senhora, em meio a pedidos de cervejas
" Fuma não filho..."
" Não fumo, é só esse, de vez em quando"
É pra aliviar.
"As pessoas fumam pra desafogar e sopram
desejando sair na dança esfumaçada
todo o equilíbrio que pesa as pernas."
A cigarra fumada cricrando,
eu criando fumaça,
cuspindo a noite, formando
tonturas, pensando poemas.
Tragadas em hiatos de gargalhadas,
cigarras fumadas,
minha saia rasgada,
a minha cara lavada pra essa rua azul cismada.
Os lábios apertam outra dimensão,
querem beijar outro alguém de outra estação.
Uma nova alvorada,
eu ainda acredito
tenho a cigarra,
a companhia boa da cigarra.
Só a fumaça que entra
e sai. Sai e cricra
cri ca.
Se cria outra palavra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário