quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A canção que preenche
meu quarto compete
com o som
esbravecido da chuva.
A água do céu
judia dos vidros da minha vista
pra rua, pra ponte
onde atravessam as sombrinhas
de pernas .
A chuva esgarnecida
recorre ao frio,
escorre os degraus,
desliza pelos fios do poste.
Os pingos ficam platinados
e despencam em camera lenta.
O vidro escorre como
escorre o meu corpo.
Não se tem vontade.
Está-se muito a vontade.
A vontade é de ficar ao meu som,
ao som da brava chuva que parece
me aconselhar ou só lavar o meu dia.

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