Uma manhã do ano 17
Aqui, neste espaço de existir, escrevo aquilo que vaga, recorda, acorda, vulcaneja em minha memória ficcional-real.
domingo, 22 de março de 2020
desinfinitude
Acordei e morri sete vezes no rumo cinza dessa manhã. Minha cama anda quente, cheia de besteiras embaixo; no lençol cheio de vontades, no travesseiro sonambulas miragens... Na janela corre um dia morto, frívolo, chapadão. Há descontentamento em meu sexo. Acordei e morri sete vezes essa manhã, e em três delas você me matou assim: primeiro asfixiado no teu cheiro rude de frenesi cortante. Depois à mordidas ao pescoço por seus caninos afiados e, por fim, morri pelo desejo de ter seu pêlo ao meu, o calor da sua mão em minhas costas, o vibrar do seu sexo à minha boca. Acordei depois...não morri de tudo. Mas fiquei a esmo, ali, derivante , procurando vestiginosas na cama, tendo sede nos olhos, procurando a sua saudade, a minha desinfinitude. Desenhando minha juventude pérfida num dia desanimado carecendo à sorte.
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